sábado, 19 de abril de 2008

Reflexões de um estudante 2

Perigo entre arbustos

porcarolinaramoseyurialves

Que lugar estranho! Olhe aonde eu vim parar! Mas vale à pena... é... vale, vale... Se eu soubesse que teria que passar por aqui teria trazido meu arco-e-flecha. Lugar selvagem... aranhas devoradoras de pequenas vilas à direita, calangos que são mais dinossauros em potencial à esquerda e um caminho tortuoso à frente. Conseguirei sobreviver?! Sinto-me o Indiana Jones, quiçá um Tarzan nas montanhas mineiras.. Não, não, não... Tarzan não... Sempre achei aquela tanguinha ridícula. Da fauna hollywoodiana, eu sou o Indiana Jones a procura do tesouro, ou melhor: da vaga. Estou indo sem avisar. Mas, se não me falha a memória, nos últimos episódios o povo se reuniu e, entre um bafafá e outro, recebi um indireto convite para tomar um café; e seria indelicado de minha parte não comparecer, já que me esperam de braços abertos. Braços abertos... quase um Cristo Redentor, que vai me redimir dos problemas... Afinal não é fácil ser estudante por aqui, tem o que fazer todo fim de semana: é um "rock" aqui, uma "social" acolá. Isso consome o nosso tempo, e como diria o popular: "Tempo é dinheiro". Isso aqui não me supre as necessidades básicas: um Playstation da vida, uma boate nos fundos... mas vale financeiramente.. ô, se vale! Bom, só preciso encontrar a república certa, aquela menos conservadora... e, já que não tem critério (falando nisso, vou apertar o passo antes que criem algum), vou contar uma história triste, aumentar um pouquinho aqui, diminuir outro tanto ali e pronto. Voilà! Não há o que temer, não tem o porquê deles não me aceitarem, afinal não tenho nenhuma doença contagiosa e sou bem sociável, quiçá (adoro aprender palavras novas) sociabilíssimo. Eu sei que isso não é muito certo, mas... não tem nada que eu esteja violando, não tem lei, não tem estatuto... e, se num passado remoto existia moradores que tinham como meio de transporte um táxi que não era deles, por que eu não posso? Eu sei que, se descoberto, chatearia os barbudos pseudo-intelectuais cheios de ideologia... Mas aqui é a lei do mais forte, e eu sou forte! Afinal, estou sobrevivendo a esta selva, e na selva não existem regras... Ainda bem! Eu sei que os pseudos não agem de má fé, mas são muito utópicos, pouco práticos, muito teóricos, ditadores de informação, além de EXCLUDENTES... Estão me excluindo do direito quase divino de usufruir o bem público, e eu faço parte do público, por que eu não posso? Talvez porque não seja "ético"... Eu, que tenho condições de morar em outro lugar... ou mesmo aqueles casos de moradores que já acabaram os seus cursos de graduação e permanecem nas repúblicas. Ética? Desde quando eu penso na ética?! Há critério: o critério de qualquer um poder entrar. E, se não há leis, não infrinjo nada. Finalmente cheguei!

Dim-dom.

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