Nos dias 10 e 11 de abril será realizada uma consulta aos estudantes de História e Letras acerca do critério sócio-econômico nas repúblicas federais de Mariana, popularmente conhecidas como Moitas. Todos os estudantes regularmente matriculados nesses cursos poderão votar entre "SIM" (se considerarem que o Estatuto das Moitas deve prever critérios específicos de ingresso e permanência dos estudantes nas Moitas priorizando o aspecto social) ou "NÃO" (se considerarem que o Estatuto das Moitas não deve conter tais dispositivos). O tema divide opiniões no ICHS e, desde que o plebiscito começou a ser organizado, os debates tornaram-se mais acalourados. Nesse contexto, O Megafone abre uma página dupla para que prós e contras possam expor, à apreciação do público iceagaesseano, suas opiniões acerca da contenda. A Junta de Imprensa não se responsabiliza pelos conceitos emitidos pelos autores dos textos a seguir e ressalta que os mesmos não foram submetidos a revisão ou edição por parte desta Junta.
Quando o atraso persiste... e ameaça vencer...
pordiegoomar
Alguém disse outro dia que a batalha do Departamento de Letras por um currículo que inclua o bacharelado começa a parecer a Guerra dos Cem Anos... acho que erraram o alvo... pois o que dizer então das discussões sobre as moitas... seria ela semelhante ao Mediterrâneo de Braudel (?), a macro Idade Média do Le Goff (?). Não sei... mas a sensação que paira no ar é que o travado processo divide, como na renascença, um grupo que busca a mudança e outro que gosta do entrave. Há quase uma década, a discussão sobre o estatuto das moitas é, num exemplo mais próximo, um "retrato do Brasil"... tudo está emperrado e os que emperram o processo o fazem baseados na desculpa manca de que... "ou se muda tudo ou se deixa tudo como está". Sabem, isso lembra a bancada do PSDB no Congresso: emperram a pauta e reclamam da morosidade, adoram votar o próprio aumento salarial e dizem execrar a indecorosa política nacional.
O argumento de que a discussão sobre as moitas só diz respeito a quem mora lá é indecoroso, porque está baseado no preceito de que só quem faz uso imediato do que é público pode opinar sobre as políticas públicas que, por princípio, devem contemplar toda a sociedade civil. No mais, o discurso de que os que lá residem fazem quase um favor à Universidade, pois tudo lá é muito precário e deficiente, é uma muleta que escora diversas iniciativas mal sucedidas da Universidade em criar uma forma de gestão das repúblicas que contemple tanto os alunos que mais precisam quanto a necessidade de se criar um espaço público normatizado, o que não é nem esdrúxulo, nem autoritário, mas um passo a frente na consolidação de uma universidade que é publica e que se quer moderna.
Devemos ter em mente, em primeiro lugar, que esta normatização é essencial para colocar a UFOP em dia com as políticas de assistência estudantil de todas as outras universidades do Brasil, para as quais nossos critérios (ou a falta deles) aparecem como uma aberração. Em segundo lugar é preciso ter clareza que este debate diz respeito a toda a comunidade univer-sitária e não apenas aos que lá residem, pois só a comunidade pode assegurar agora através do voto que qualquer aluno que declaradamente precise possa ter acesso à moradia estudantil. Em terceiro é inaceitável que pensemos que, porque hoje as coisas funcionam minimamente bem (como alegam alguns moitanos), sempre funcionaram ou funcionarão assim. A falta de critérios um pouco mais objetivos para a escolha dos moradores sustentou historicamente os abusos cometidos por diversos moradores das repúblicas federais de Ouro Preto, que, com a invenção de suas tradições, justificam agressões aos direitos de uma maioria que permanece calada e alheia a esta questão.
Desde que a CAC foi criada, o debate é sempre conduzido num irritante discurso conciliador que tem tornado evidente a falta de vontade da reitoria e dos grupos hegemônicos da UFOP de que esta situação mude. A pouca determinação e parca vontade política impede que uma nova forma de administrar e ocupar as repúblicas seja encontrada. É o atraso que persiste... e quanto mais o tempo passa, mais ridículos e obsoletos parecemos. O pior é que a falta de debate que é uma realidade até mesmo entre os moradores das moitas torna esse atraso ameaçador. Quem perde com ausência de critérios claros de admissão dos novos moradores das moitas são as futuras gerações de estudantes do ICHS, mas quem é responsável por transformar essa situação e preparar um futuro em que algumas coisas sejam menos obscuras do que no presente somos todos nós. Além disso, essa é uma oportunidade rica de construirmos juntos um espaço de debate, onde o público não seja apenas uma instância de que se pode cobrar algo, mas sim um espaço aberto, dialogado e comunicativo de construção e exercício de cidadania.
Nossa posição
pormoradoresdarepúblicafederalbuceta
É muito importante a oportunidade de divulgar opiniões diversas tendo como veiculo um meio de comunicação imparcial. Tal chance é fundamental para que haja esclarecimento aos interessados no assunto que vem sendo discutido e assim favorecendo a democracia.
Tendo em vista o esclarecimento sobre a posição da república federal Buceta, nós, moradores da casa, viemos por meio desse texto deixar bem claro nossa posição acerca da implantação do critério socio-econômico nas repúblicas federais de Mariana.
O primeiro ponto a ser esclarecido é o de que não somos contra a implantação de um sistema de critério socioeconômico, apenas queremos por parte da C.A.C. alguns compromissos. É real a necessidade que temos de manter a casa, tanto no que tange aos aspectos estruturais e também aos aspectos das condições necessárias para garantir o bem estar dos moradores.
Acreditamos que com a implantação do sistema socioeconômico portanto com estabelecimento de um norma, haverá um cerceamento de nossa liberdade de organização e também de autopromoção do bem estar e da qualidade de vida da república. Tendo em vista esse ponto seria necessário que a C.A.C. oferecesse a manutenção de toda infra-estrutura da casa.
Vemos também o empenho de se resolver esse assunto da forma mais rápida possível, para alguns essa discussão já se arrasta há tempos, só que é preciso lembrar que qualquer mudança agora no regimento das casas irá influenciar nossas vidas e dos próximos moradores das moitas. Então, devemos sim nos empenharmos em discutir o critério socioeconômico, mas, sem pressa e sem levar somente em consideração o embate meramente ideológico, que deixe de lado a realidade como tal.
Devemos discutir muitas outras coisas antes de implantarmos o critério socioeconômico nas moitas, já que vamos mudar, vamos mudar tudo, não podemos fazer pela metade, vamos discutir a questão da água e da infra-estrutura das casas. Muitas delas estão com suas instalações elétricas a ponto de entrarem em curto e causarem, assim, um incêndio.
Já que estamos empenhados em mudar, vamos exigir da C.A.C. tudo que o critério sócio econômico implica, não adiantará nada implementa-lo apenas tendo uma perspectiva teórica aparentemente viável, temos de ter em mente todos os aspectos que a ele órbita, afinal, essa é a casa que a gente ama.
Logo, ao contrário do que alguns acreditam, não queremos uma "eletização" das moitas, queremos apenas que as condições necessárias para os alunos carentes da U.F.OP. sejam respeitadas e então que a estádia seja possível.
sábado, 19 de abril de 2008
Página-Arena
Marcadores:
Diego Omar,
Moitas,
Moradia Estudantil,
O Megafone 2,
Página Arena,
República Buceta
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário