
EDITORIAL • ANO I • NÚMERO 1 • MARIANA/MG • DEZEMBRO/2007
O MEGAFONE vem para fazer soar, retumbar, ecoar em alto e bom som os ruídos que passam quase imperceptíveis dentro das salas e nos corredores do nosso Instituto de Ciências Humanas e Sociais.
A rotina acadêmica deixa-nos quase surdos. Poucas são as mudanças que nos fazem vibrar os tímpanos além das horas que tornam a badalar os sinos. Entre essas poucas, a musicalidade do aço contra o aço rompeu o sossego e nos demandou aguda atenção durante as reformas que ocorreram na quadra do ICHS, enquanto os funcionários labutavam sob forte sol para garantir as próximas competições de futsal sem que essas representassem risco às janelas e cabeças pensantes de nosso instituto.
No entanto, outras reformas menos barulhentas causaram, senão poucos rumores, algum diz-que-diz. São transformações que vão sendo propostas, encaminhadas, sem que haja um maior debate, ainda que digam respeito a todos nós, estudantes, funcionários e professores do ICHS. Optamos por permanecermos como Kikazaru, um dos três macacos sábios (o que tapa os ouvidos), selecionando aquilo que preferimos escutar. O problema é que, com ele, estão sempre seus companheiros: Mizaru (o que cobre os olhos) e Iwazaru (o que tampa a boca).
Sem entrar no mérito da questão sobre a necessidade e os benefícios que tais transformações podem nos acarretar, apenas queremos clamar pela importância de nossa presença – os estudantes – dentro desse quadro de transformações. Não podemos abrir mão dos espaços democráticos que conseguimos assegurar com muita luta e que não se resumem apenas a algumas cadeiras nas instâncias deliberativas desta instituição. A participação dos estudantes é fundamental na hora de definir os rumos daquilo que nos é caro: nossos cursos, nossa formação, nossas carreiras, nossa permanência na instituição e, especialmente, a garantia de melhores condições aos muitos outros que comporão o quadro discente, expandido ou não, desta universidade.
Este jornal vem para suscitar o debate na comunidade, especialmente entre os discentes, em torno de todas as questões que possam envolver o ICHS e a UFOP. Neste primeiro número trataremos do REUNI e suas implicações para a realidade que hoje vivenciamos nas IFES. Não há dúvidas de que somos favoráveis que, a cada dia, mais e mais pessoas possam ter acesso à universidade pública, mas estamos dispostos a lutar pela garantia da qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão. A ampliação de vagas deve ser seguida por uma política de assistência estudantil bem estruturada, com critérios bem definidos, que beneficie e garanta a permanência daqueles que necessitam dela. Nesse sentido, outro assunto que tem mobilizado um grupo ainda pequeno de pessoas é a discussão de um possível “Estatuto das Moitas”, que tem por finalidade regulamentar o acesso e permanência de estudantes nas repúblicas federais de Mariana.
A Junta de Imprensa do ICHS é formada por membros do corpo discente e possui um caráter independente. Através da participação ativa dos estudantes, tentaremos garantir a periodicidade deste jornal, a fim de construir aqui um espaço aberto e constante de discussão. Portanto, todos estão convidados a colaborar. O MEGAFONE é nosso!
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