sábado, 19 de abril de 2008

Editorial (Ano II, nº. 2)

EDITORIAL • ANO II • NÚMERO 1 • MARIANA/MG • ABRIL/2008

Pra não dizer que só falei das flores

Se ainda não perceberam, passem a olhar com mais atenção pelos corredores, as intermediações do jardim suspenso da Babilônia, os canteiros de flores bem cuidadas e robustas até demais, atrapalhando a passagem no corredor de teto solar. Não deixem de cumprimentá-la, senhora que passeia pelos aposentos do Instituto, cuidadosa com as pétalas que fazem par à Luzia durante as noites desertas que pintam de mistério calado essas paredes históricas. Se ainda não perceberam, passem a olhar a D. Niva, ocupando-se com as cores do interior do prédio, detalhes essencialmente indispensáveis que percorrem as tonalidades extremas da paleta dos bem intencionados pintores à disposição das diminutas e tênues variações de branco neve ou branco gelo, ou mais ou menos um pouquinho de cada. Aliás, cantina que esteve de luto e de greve, fechada aos dispostos novatos que descobriram o sal do salgado salgado, boicote aos enlatados nocivos à saúde pública. Cerradas as portas da cantina sob nova direção, litígio das tintas adentro, "detalhes tão pequenos de nós dois" (D. Niva deve ouvir a voz do Rei). Afinal, respeito é bom e ela gosta. Discentes, precipitados!, submissão ao despotismo esclarecido, oras! Será o Benedito?

Outra coisa, a novela que bem inspiraria Manuel Carlos, aquela longa e interminável corrida de gato e rato, cachorro e gato, pastor alemão e qualquer quadrúpede de menor porte ou mamífero cuja inofensibilidade corresponda à cadeia alimentar dos grandes devoradores de pequenos, quer dizer, celeuma sem fim e sem previsão, próximos capítulos à vista em horário nobre: departamento de Letras ainda com a nova grade velha, bacharelados correndo risco de morte e outros problemas afins. Você decide o final: se você acha que vai acabar em pizza de _______ (leia-se a sua predileta) disque 0800 etc. Viva a teimosia da minoria! São as Letras recorrendo aos números no Tribunal de Contas! Dito isso, aguardaremos as cenas do último episódio.

Falando em episódios, O Megafone também botou a boca no trombone: o Estatuto das Moitas ganhou uma "página-arena" para o debate das idéias a esse respeito. Resta aos estudantes pender para um dos lados, uma vez à vista o pleito a prazo (30, 60 ou 90 dias no cartão ou cheque da praça). Desde já nosso editorial se posiciona, incrédulo no folclore da imparcialidade jornalística: pró critério sócio-econômico, razões adiante explicitadas com mais destreza e minúcia. Não esquecendo que o precário sistema on-line anda off: a fila de reclamações em relação à internet no ICHS parece estar maior do que a duradoura fila de matrícula que dá boas vindas aos estudantes com saudade da Sessão de Ensino. Em seguida, aproveitando o embalo do rebuliço na UFMG, lembraremos os episódios que se deram no mítico ano de 1968. Ainda que não haja consenso entre os protagonistas desse momento quadragenário, seja sobre suas razões, efeitos ou dimensão, podemos ter certeza que as bordoadas levadas pelos estudantes de 68 valeram muito mais que uma coquinha.

Mas... pra falar de refrigerante é melhor largar o megafone.

Nenhum comentário: